terça-feira, 17 de março de 2015

COSMOS: Uma Viagem Pessoal


O MÉTODO CIENTÍFICO é tão poderoso que em meros quatro séculos nos levou da primeira visão de outro mundo que Galileu teve através de um telescópio para deixarmos nossas pegadas na lua. Nos permitiu olhar através do espaço e do tempo, a descobrir onde e “quando” estamos no cosmos.”  - Neil DeGrasse Tyson, Cosmos (2014), 1º episódio.

Apresentada pelo mundialmente reconhecido astrofísico Neil deGrasse Tyson. Cosmos: Uma Viagem Pessoal é uma conhecida minissérie de 1980 que apresenta uma série de temas científicos, desde a origem da vida até o futuro da humanidade. Ela é apresentada por Carl Sagan, o famoso astrônomo que ajudou a popularizar a ciência. 
Cosmos foi vista por pelo menos 500 milhões de pessoas em 60 países diferentes, incluindo o Brasil… e sua continuação está também agora no Netflix.
A minissérie ganhou uma versão atualizada, com treze novos episódios apresentados por Neil deGrasse Tyson, o aclamado astrofísico e discípulo de Sagan.


No primeiro episódio, deGrasse Tyson faz um tour pelo sistema solar, explica o calendário cósmico e reconta a história de Giordano Bruno, o renascentista italiano cuja visão do universo foi essencial para compreendê-lo.
deGrasse Tyson explica qual é o objetivo da nova série:
“[Cosmos] quer pegar a ciência que está por aí, e conectá-la a você e aos elementos do universo”, disse ele. “Trata-se de mostrar por que a ciência é importante para você. Até o final da série, nós gostaríamos de criar uma rede com você no centro, de modo que agora você conhece e compreende o seu lugar no universo. Isso é o que chamamos de perspectiva cósmica.”

A ideia da minissérie está circulando desde 1996, ano em que Carl Sagan faleceu. Sua esposa, Ann Druyan, se reuniu com deGrasse Tyson e produtores do Cosmos original para criar uma nova versão, com apelo para um público ainda maior. Desde 2009, eles contaram com a ajuda fundamental de Seth MacFarlane, responsável pelo desenho Uma Família da Pesada e pelo filmeTed – a minissérie foi aprovada dois anos depois.

Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo está sendo transmitida para milhões de lares em 180 países ao redor do mundo pelo Canal National Geographic. Nos EUA, mais de 12 milhões viram o primeiro episódio. Posso lhe garantir que é imperdível e eu e mais milhões estamos assistindo também a conta-gotas no Netflix, enquanto chega nova temporada.


 E para já começar aquecendo, confira a série original, especialíssima, com Carl Sagan. 
ASSISTA: Episódio 1 - Os Limites do Oceano Cósmico - O 1° capítulo da série Cosmos nos tempos da “guerra fria”.


quarta-feira, 4 de março de 2015

CUBA - Onde Hemingway deixou clássicos e sua história


Um ano depois da revolução, em entrevista ao jornalista Rodolfo Walsh, Hemingway teria dito: "Vamos a ganar, nosostros, los cubanos, vamos a ganar. I'm no a yankee, you know”.


Havana – A cidade de cerca de 2,4 milhões se une à região metropolitana como tantas outras capitais do mundo. Bem perto de Havana, em São Francisco de Paula, a mais ou menos meia hora de táxi, está a Finca Vigia, onde o escritor Ernest Hemingway viveu. Nesta casa e no Hotel Ambos Mundos, na Habana Vieja, o escritor morou em território cubano por 28 anos, entre idas e vindas. Ali escreveu, em pé, Por Quem os Sinos Dobram, Através do Rio, Entre as Árvores, O Velho e o Mar, Paris é uma Festa e As Ilhas da Corrente.

O hotel Ambos Mundos foi uma residência quase permanente quando Hemingway voltou da Guerra Civil espanhola. 

HEMINGWAY chegou pela primeira vez em Havana em abril de 1928, junto com Pauline Pfeifer, que estava grávida.
Iam em direção a Cayo Hueso. O escritor tinha 28 anos e terminaria na praia seu segundo romance, “Adeus às Armas”, depois de ter sido correspondente na Europa e ter dirigido ambulâncias durante a Primeira Guerra Mundial.
O “Ambos Mundos” foi uma residência quase permanente quando Hemingway voltou da Guerra Civil espanhola. A vista do quarto que mais frequentou, no quinto andar, era assim descrita por ele: “Suas janelas davam para a antiga catedral, e para a entrada do porto e para o mar pelo norte, e ao sul para a península de Casablanca e para os telhados das casas que se estendem até o porto”. Agora, em frente à janela está um enorme edifício que fere um pouco a paisagem de arquitetura predominantemente colonial. Neste quarto, uma exposição que muda a cada ano marca sua estadia. A de 2014 era sobre bebida, marca registrada na vida do escritor. A deste ano sobre quando ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1954.
A Casa de Hemingway foi transformada em museu por iniciativa do amigo  Fidel Castro.
Pauline abandonou o quarto e o escritor ainda no Ambos Mundos e dizem que foi Martha Gellhorn, com quem ele se casou pouco tempo depois, quem encontrou e comprou a Finca Vigia.
É de Gabriel García Márquez a abertura da principal biografia sobre Hemingway, escrita pelo jornalista cubano Norberto Fuentes. “Havana era naquele tempo – e continua sendo até hoje – uma das cidades mais belas do mundo”, descreve García Márquez em Hemingway em Cuba. “O passeio pelo Malecón, a avenida a beira mar, cujas obras de proteção e embelezamento tinham sido começadas em outra época, estava sendo prolongado até sua dimensão atual, e novas avenidas com árvores e mansões de milionários surgiam ao oeste da cidade velha”, prossegue o colombiano, relatando exatamente o que se vê ainda hoje sendo restaurado em Habana Vieja.


A casa da Finca Vigia permanece intacta. Até a biblioteca do escritor, com 9 mil volumes, está ali. É possível farejar cada recanto através das janelas e portas – só não é permitido circular na casa. Ali Hemingway teve, além dos livros, quatro cães e 59 gatos. As peças de caça, os sapatos e sandálias do escritor, os óculos de armação metálica, as espingardas e as varas de pescar. A Finca está em um dos lugares mais altos da região e a vista desde lá sobre Havana é magnífica. Atrás da casa, o escritor mantinha um mirante que também é aberto à visitação.
Em Cuba, Hemingway foi fiel freqüentador do Floridita, um bar com restaurante nos fundos que existe no final da Rua Obispo. Ali turistas de todo o mundo ainda hoje se sentam para tomar o daiquiri, uma combinação de rum cubano com gelo picado e limão que o escritor ajudou a divulgar pelo mundo. Segundo Hemingway conta em artigo escrito logo após receber o Prêmio Nobel, ir ao Floridita significava sentir-se em casa. “Eram pessoas de todos os Estados Unidos e de muitos lugares onde morei.” De marinheiros a agentes do FBI, entre alguns cubanos, todos frequentavam o Floridita. Dizem que o escritor também frequentava a Bodeguita Del Médio, intacto até hoje e onde se podem ver as assinaturas de milhares de visitantes que cobrem as paredes, ali estão o autógrafo de Salvador Allende e um poema de Nicolás Guillén.
Pelas ruas de Havana, nenhum escritor – a não ser é claro José Martí – parece ser alvo de tantas homenagens. Difícil encontrar um bar ou restaurante de Havana que não tenha uma foto de Hemingway pendurada na parede. Fidel Castro foi quem, junto à última esposa de Hemingway, se comprometeu em manter a Finca Vigia intacta e transformá-la em museu. Em 1977, Fidel teria declarado a um grupo de jornalistas estadunidenses que Hemingway era seu autor preferido.

Sobre o escritor, o que os cubanos dizem é que seu pensamento político, tão expresso durante a Guerra Civil espanhola, parecia um enigma frente ao drama que vivia Cuba antes da Revolução. Suas relações eram com estadunidenses que visitavam a ilha e com alguns cubanos, mas não há indícios de que tenha tentado fazer contato com o ambiente cultural local – e tampouco conheceu muito mais da América Latina.
Segurando a espingarda com que se matou com um disparo no céu da boca.




segunda-feira, 2 de março de 2015

O HOMEM que fazia listas...

por Érika Basílio
Sua mania era criar uma interminável sequência de filmes, livros, lugares para conhecer. Até ele viver o roteiro do seu filme preferido.
Era a primeira vez que a via. Saía da sessão das 22 horas do Roxy onde fora ver pela terceira vez Casablanca. Isso só a versão restaurada. O original ele já tinha perdido a conta de quantas vezes assistiu. Sem contar uma versão colorizada do filme que odiava com todas as forças. Mas por um momento se esqueceu de Bogart, Bergman e dos refugiados que tentavam escapar dos nazistas por uma rota que passava por uma pequena cidade africana.
Ela era mais bonita que Grace Kelly, Hedy Lammar e Ava Gardner juntas, as três atrizes que ele mais admirava. Saía sozinha do cinema. Provavelmente uma fã de Casablanca como ele. Será que esse era o filme preferido dela? Será que fazia parte do seu Top 5? Ou será que ela saía da sessão de “Jogos Mortais” que acabara no mesmo instante? Não, não era possível. Ela parecia ser tão interessante, tinha um olhar tão especial, e estava agora cada vez mais próxima dele.

- Oi! Você também viu o filme?, ela perguntou.
- Casablanca?
- Sim. Deve ser a quinta vez que assisto e sempre me emociono.
Pronto! Conhecia naquele instante a mulher da sua vida. Ficaram conversando na saída do cinema. Ele a contou curiosidades sobre o filme. Que o papel de Bogart seria interpretado originalmente por Ronald Reagan. E que durante a sequência em que o major Strasser desembarca no aeroporto, os oficiais vistos de cima foram interpretados por anões, para que a pista parecesse maior. Ela morria de rir. Ele se sentia feliz. Tão feliz que temia estar com cara de bobo. De repente ela corta a conversa e diz que precisa sair porque tem um compromisso. Mas antes de ir embora, deixa o telefone.
- Me manda um whatsapp. Podemos marcar um cinema.
Marcaram vários cinemas. O Festival de Kubrick, de Alain Resnais, o Cine Daros no Pátio, e a edição de David Lynch no Oi Futuro. Ele a levou em todos os barzinhos legais que conhecia. Havia feito uma lista dos lugares mais interessantes para se ir no verão, que tinha encontrado em uma dessas revistas descoladas.
Estavam naquele dia em um bar bem longe de ser um Rick’s Cafe, de Casablanca. Mas que tinha o seu charme, com mesinhas do lado de fora e uma vista tão bonita quanto a do Marrocos.

- Você é a primeira pessoa com quem eu gosto de conversar de verdade. Diferente daqueles caras com o mesmo papo de sempre, ela disse.
Mal sabia ela que ele adoraria ter o mesmo papo daqueles caras. Afinal, sobre o que tanto falavam? Ele nunca tinha ideia do que conversar. Vivia fazendo na memória uma lista dos assuntos que poderiam interessá-la. Mas na hora se enrolava, esquecia e qualquer silêncio entres os dois o incomodava profundamente. Ficava com medo de que ela o considerasse chato, entediante. Mas ela não parecia se importar.
Além do mais o que acabara de ouvir, o deixou emocionado. Nunca tinha sido o primeiro cara em nada para ninguém. Nem para sua mãe. Era o quinto filho de um total de sete, e quando nasceu ela já estava cansada demais da maternidade para tratá-lo de maneira especial.
Mas naquele momento se sentiu mais felizardo que um Humphrey Bogart. Não tinham guerra, não precisavam fugir de ninguém e viviam um amor de cinema. Quase que dava para ouvir o piano de Sam tocando ao fundo. A kiss is just a kiss. No Rio de Janeiro ou em Casablanca.


ATLAS da Beleza...



MIHAELA Noroc é uma fotógrafa da Romênia que largou o emprego e começou uma nova vida. Há 2 anos ela fez as malas, pegou sua câmera e começou a viajar pelo mundo fotografando centenas de mulheres cercadas por sua cultura.
"FOTOGRAFEI mulheres de 37 países para mostrar que a beleza está em toda a parte.” 


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Bogotá, Colômbia


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Amazônia, América do Sul

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Medelin, Colômbia

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Rio de Janeiro, Brasil

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Shiraz, Iran

Dê uma olhada no show do Instagram da MIHAELA

Al Capone visita Charles Chaplin em Hollywood




por Sebastião Nunes
A enorme limusine preta, ornamentada com dourados, exibia na frente, em vez do costumeiro emblema do fabricante, uma sombria águia de asas abertas, esculpida com chumbo extraído de corpos assassinados. Quando parou, diante do portão principal do estúdio, saltaram três homens armados de submetralhadoras. Rapidamente eles se postaram, atentos, nas laterais e na traseira do automóvel, olhando para a direita e para a esquerda. Em seguida, o motorista abriu sua porta, também com uma submetralhadora nas mãos, e deu a volta até o outro lado, abrindo a porta dianteira. Um homem pequeno e rechonchudo desceu, lentamente, encaminhando-se com passos curtos para o portão, no alto do qual se lia “United Artists”.
ARTISTAS EM AÇÃO
Como se esperasse o visitante, o porteiro inclinou-se levemente e empurrou a maçaneta para trás. O homem pequeno e rechonchudo entrou, seguido pelo motorista com a submetralhadora e pelo porteiro.
Ninguém reparou neles nem era razoável que reparassem. Dezenas de pessoas andavam apressadas no meio de câmeras, gruas, torres de iluminação e cenários de todos os tipos e tamanhos, no gigantesco galpão. O porteiro, tomando a dianteira, bateu suavemente três vezes numa porta sobre a qual se lia “Entrada proibida”.
– Entre! – ouviu-se lá de dentro.
O porteiro abriu a porta e afastou-se de lado, deixando passar os visitantes.
HOMENS DE AÇÃO
Os dois entraram. O motorista mantinha a submetralhadora nas mãos, mas ninguém parecia ligar. Detrás de uma mesa grande, fumando um grosso charuto, estava um sujeito baixo e magro, com uma loura sentada no colo.
– Boa tarde, Mr. Chaplin – disse o visitante. – É uma honra conhecê-lo.
– A honra é minha, Mr. Capone – respondeu o visitado, expulsando a loura do colo com um safanão, enquanto se levantava e estendia a mão. – Tenha a bondade de sentar-se. – Desapontada, a mulher encolheu-se numa poltrona junto à parede.
O visitante nem olhou para a loura. Sem pressa, acomodou-se na única cadeira diante da mesa, colocada em plano levemente inferior, de modo que qualquer visitante pareceria menor que o dono da sala.
– Joe – disse ele, voltando-se para o motorista. – Leve com você o berro, deixe no carro, e traga aquela caixa fechada. Você sabe qual. – Então tirou um charuto do bolso, que acendeu riscando um fósforo na sola do sapato, e soltou uma baforada.
AÇÃO ENTRE AMIGOS
– Gosta de louras, Mr. Chaplin? – indagou o visitante.
– Não mais que de morenas e ruivas, Mr. Capone – respondeu o visitado, com um sorriso amável no rosto ainda jovem.
– Então o senhor é como eu, Mr. Chaplin. Também não tenho preferência quanto a cor. Mas por ser descendente de italianos, como sabe, as louras me fascinam.
– Compreendo, Mr. Capone. Comigo é diferente. Sendo inglês, me sinto mais inclinado para as morenas. Essa loura que viu estava no meu colo por acaso. De modo geral, tanto faz ruiva quanto loura ou morena. O que vier, eu traço.
Riram um riso breve e olharam-se com simpatia. Eram afins por temperamento e, principalmente, pela coragem de correr riscos e dizer o que pensavam.
– Confesso que há tempos desejava conhecê-lo, Mr. Chaplin. Agradeço por ter autorizado minha visita.
– O mesmo se passa comigo, Mr. Capone. Só não o procurei antes por não saber se seria recebido com apertos de mão ou tiros.
Riram novamente e soltaram baforadas de seus charutos.

AÇÃO E REAÇÃO
A porta se abriu e Joe entrou, uma grande caixa nas mãos.
– Ponha em cima da mesa – disse o visitante, olhando a caixa. E voltando-se para o visitado: – Creio que gostará do presente, Mr. Chaplin. São 12 litros do melhor uísque de milho produzido neste país. De venda totalmente proibida, é lógico.
O visitado riu novamente.
– Decerto que é proibido, Mr. Capone. Tudo que é bom é proibido.
O visitante também riu.
– Parece estranho, não é mesmo? Somos dois homens importantes e famosos, mas o senhor está dentro da lei e eu, fora. A lei não tem nada contra o senhor, mas, ao mesmo tempo, não consegue me pegar. É como se nada tivesse contra mim.
– Entendo, Mr. Capone – disse o visitado olhando fixamente o visitante. – Creio que é tudo um tanto estranho neste país. Hollywood, por exemplo, é a maior rede de prostituição do mundo. No entanto, aos olhos das pessoas, de qualquer nível social, passa como a grande indústria de entretenimento e arte da América.
– Sei disso, Mr. Chaplin – disse o visitante. – Quantas mocinhas já enviei para produtores e diretores de cinema? Centenas, talvez milhares. Não posso ficar com elas, não é mesmo? No meu trabalho, preciso de homens duros e impiedosos. Mas elas surgem às dúzias, vindo de todos os estados, sonhando com fama e riqueza.
– O mesmo acontece entre nós, Mr. Capone – respondeu o visitado. – Ninguém suporta mais tanta mulher em volta. Ou melhor, suporta sim. Nós nos divertimos muito. Mas por quantas camas uma mocinha dessas tem de passar até chegar a mim, que decido seu futuro e, em muitos casos, sua fortuna ou sua miséria?
– Nenhum de nós dois vale nada, não é mesmo, Mr. Chaplin? Ou nós estamos certos e o sistema é que está errado? O que acha o senhor?
– Prefiro acreditar que errado seja o sistema, Mr. Capone. Nós estamos certos, pois não somos hipócritas. O que mata a sociedade é a hipocrisia.

Então os dois ficaram se olhando, novos e velhos amigos desde sempre.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

NISE DA SILVEIRA - 110 anos da psiquiatra rebelde



Filha de Faustino Magalhães da Silveira, professor e jornalista, diretor do Jornal de Alagoas, e de Maria Lydia da Silveira, pianista, Nise teve seu nome escolhido em homenagem à musa do poeta inconfidente Cláudio Manuel da Costa. 
Nascida com temperamento forte, filha única, foi o centro das atenções. Cresceu em meio a uma família com acentuada militância política, num ambiente acolhedor, numa casa sempre aberta aos amigos e convidados, fartamente servidos, onde recebiam os artistas que se apresentavam para a plateia alagoana e os intelectuais que passavam pela cidade. Nise foi cercada de arte e cultura desce cedo.  Ainda criança já escrevia em francês, adolescente lia obras de Spinoza.

Termina o curso secundário em um colégio de freiras, exclusivo para meninas, o Colégio Santíssimo Sacramento, localizado em Maceió. Seu pai, na ocasião, preparava alguns sobrinhos para o vestibular de Medicina em Salvador. Nise se entusiasmou com a idéia e, aos 16 anos, entrou para a Faculdade de Medicina da Bahia, única mulher numa turma de 157 rapazes. Defendeu brilhantemente a tese Ensaios sobre a criminalidade da mulher no Brasil.
Voltou à sua terra, mas com a morte do pai, um mês após a sua formatura, veio para o Rio de Janeiro. Em 1933, passou num concurso federal para o cargo de médica psiquiatra na Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental.
Já casada com seu primo e colega de turma, o sanitarista Mario Magalhães da Silveira, engajou-se nos meios artísticos e literários e frequentava ativamente os círculos marxistas.
Por suas atividades políticas, Nise da Silviera foi presa durante 15 meses no presídio da Frei Caneca, denunciada por uma enfermeira que mostrou à polícia política de Getúlio Vargas, liderada pelo feroz Filinto Müller, os livros “proibidos" que ela guardava na sua estante.  
Partilhou cela com Olga Benário, judia que foi entregue à Gestapo de Hitler pelo governo brasileiro. Nise foi também contemporânea de Graciliano Ramos na prisão, tendo sido personagem do livro e posteriormente filme, Memórias do Cárcere, e da novela Kananga do Japão.
Livre da prisão, viveu clandestinamente até 1944, quando foi anistiada e reintegrada ao serviço público, lotada no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro.
Contrária a práticas como eletrochoques, lobotomias e terapia química e medicamentosa, seguiu o caminho da Terapêutica Ocupacional e se propôs a fortalecer esse método transformando-o em um campo de pesquisa. Os valores, como o respeito aos pacientes, o afeto, a liberdade, a criatividade, contrariavam a concepção de um hospital psiquiátrico na época.
Dirigiu por 28 anos o Setor de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (STOR) no Centro Psiquiátrico, onde foram desenvolvidas diversas pesquisas e dezessete núcleos de atividades, entre os quais encadernação, marcenaria, trabalhos manuais, costura, música, dança, teatro, onde ofereciam atividades que estimulassem o fortalecimento do ego dos pacientes, a progressiva ampliação do relacionamento com o meio social, e que servissem como meio de expressão. Nos atendimentos que realizava, Nise procurava criar um clima de liberdade, sem coação, no qual, por meio de diversas atividades, os sintomas pudessem encontrar oportunidade para sua expressão e, como ela dizia, serem despotencializados.
Entre os vários núcleos de atividade, havia o ateliê de pintura, proposto por Almir Mavignier, enfermeiro e artista plástico. O ateliê era monitorado por ele e era frequentado por seus amigos, jovens artistas da época, como Ivan Serpa, Abraham Palatinik e Mario Pedrosa, tornando-se um lugar de referência artística. 
Nise evitava o julgamento estético das pinturas produzidas no ateliê, mas muitas dessas obras foram avaliadas por artistas e consideradas “obras de arte”, vindo a fazer parte de exposições em museus de arte internacionais.
Nise foi surpreendida pela quantidade, qualidade e criatividade dos trabalhos produzidos, num contraste com a atividade reduzida de seus autores fora dos espaços do ateliê. Mais surpreendida ainda ficou com as imagens circulares com configurações perfeitas que apareciam em algumas pinturas. Para entender melhor este fato, ela reuniu estas imagens e as enviou para Carl Gustav Jung. Jung lhe respondeu dizendo que estas imagens eram mandalas e que exprimiam não somente a cisão mas também eram forças autocurativas que procuram reunir as rupturas em formas de contorno harmonioso. A partir deste momento, Nise começou a utilizar a psicologia Junguiana como sua ferramenta de trabalho para o tratamento da esquizofrenia.
Alguns pacientes da Dra. Nise tiveram reconhecimento artístico pelo valor e consistência de suas obras, como Fernando Diniz, Emygdio de Barros, Arthur Amora Raphael, Adelina Gomes. Diversas exposições foram realizadas com as obras destes artistas, inclusive na Bienal de Veneza de 1981.
O ateliê deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, fundado em 1952, considerado referência no estudo de imagens produzidas por esquizofrênicos. O método de trabalho no Museu consiste principalmente no estudo de séries de imagens que, isoladas, parecem sempre indecifráveis.
Em 1956,  cria a Casa das Palmeiras, em Botafogo, Rio de Janeiro,  uma clínica destinada ao tratamento de egressos de instituições psiquiátricas, onde atividades expressivas são realizadas livremente, em regime de externato.
Em 1957 foi para Zurique estudar no Instituto C.G. Jung, ficando lá por quase um ano.
Nas décadas de 50 e 60, a psiquiatra foi pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais, que costumava chamar de coterapeutas. Percebeu esta possibilidade de tratamento ao observar como um paciente a quem delegara os cuidados de uma cadela abandonada no hospital melhorou tendo a responsabilidade de tratar deste animal. Segundo ela, eles “reúnem qualidades que os fazem muito aptos a tornar-se ponto de referência estável no mundo externo”, facilitando a retomada de contato com a realidade. Ela expõe parte deste processo em seu livro Gatos: a emoção de lidar, publicado em 1998.  
 

Em 1968, Nise publicou o livro Jung, vida e obra introduzindo a obra do psiquiatra suíço no Brasil. Ao compreender a importância das imagens mitológicas, do folclore, da religião, ela debruçou-se sobre a cultura nacional e publicou também alguns estudos sobre motivos do nosso folclore
Na década de 1970 Nise teve problemas na visão, situação que lhe causou grande sofrimento, pois isso poderia impedi-la de ler, uma das coisas que ela mais gostava de fazer. Ela precisou realizar uma delicada cirurgia, livrando-se assim do risco da cegueira.
Em 1975, em comemoração ao centenário de Carl Gustav Jung, a Dra. Nise organizou uma grande exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que viajou por todo o Brasil
Aposentou-se compulsoriamente, aos setenta anos, e organizou e publicou seus livros mais conhecidos: Imagens do inconsciente (1981), que depois se tornaria o filme de mesmo nome de Leon Hirszman, e O mundo das imagens (1992).
Em 1986, morre seu marido. No mesmo ano quebra a perna e passa a andar em cadeira de rodas. Esses acontecimentos não diminuíram sua dedicação ao trabalho, mantendo-se produtiva e lúcida.
Nise rompeu com as tradições e alguns valores da época, ao morar com seu companheiro Mário Magalhães da Silveira, não sendo casados formalmente, como era obrigatório para muitas famílias naquela época.
Combativa e muito além de seu tempo, conferiu um admirável legado de ação e coerência. Tinha personalidade controversa - dócil e feroz. Por isso, o amigo Hélio Pellegrino a denominou Anjo Duro. A lembrança do nome de Nise da Silveira frequentemente vem associada ao pioneirismo na humanização do asilo e nas idéias da reforma psiquiátrica.
Nise da Silveira morreu aos 94 anos, vítima de insuficiência respiratória aguda, depois de ter sido hospitalizada por cerca de um mês com pneumonia.
Em homenagem ao Centenário de Nise da Silveira os Correios lançaram um selo. O selo apresenta, em primeiro plano, o perfil de Nise da Silveira, à direita, e o perfil de um gato, à esquerda, animal admirado pela psiquiatra por sua liberdade, independência e altivez. Em segundo plano, são apresentadas a figura de Nise admirando pinturas criadas por pacientes; uma mandala, símbolo de integração psíquica presente em vários desenhos de seus “clientes”; e um grupo de doentes em convivência. Ao centro, o Manto da Apresentação, criado por Arthur Bispo do Rosário, interno esquizofrênico da Colônia Juliano Moreira. Apesar de não ter sido paciente da Dra. Nise, ao contrário do que muitos consideram, suas obras afirmam a capacidade criadora dos portadores de sofrimento psíquico e, por isso, são comumente associadas às teorias desenvolvidas pela psiquiatra.
O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Documentação e Informação e do Centro Cultural da Saúde, em parceria com o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira e Museu de Imagens do Inconsciente, apresentam a Mostra Nise da Silveira - Vida e Obra, uma retrospectiva biográfica da psiquiatra que revolucionou os métodos de atendimento ao portador de transtornos mentais no Brasil. 
Frei Betto escreveu: “A Dra. Nise da Silveira é a mulher do século XX no Brasil, por ter dado uma visão mais humana e inovadora da loucura como expressão da riqueza subjetiva de pessoas que são consideradas deficientes mentais ou portadoras de distúrbios psíquicos. A Dra. Nise nos ensina a descobrir por trás de cada louco, um artista; por trás de cada artista, um ser humano com fome de beleza, sede de transcendência.” 
Fonte: GGN 

Bob Gruen

Bob Gruen 1
Bob Gruen nasceu na cidade que nunca para, Nova Iorque, no ano de 1945. Se a história do rock fosse contada em fotografias, Bob teria longos capítulos “escritos” com suas imagens. Com uma carreira de mais de quarenta anos, registrou estrelas como John LennonMadonnaBob DylanDavid Bowie, e grandes bandas como RamonesKISSRolling Stone. O portfólio deste fotógrafo é uma galeria da música.
Bob Gruen 2
Um detalhe muito interessante na biografia de Bob: Em 1971, quando John Lennon se mudou para Nova Iorque , Bob, o ex-beatle e Yoko Ono engataram numa amizade e num contato profissional muito importante. Bob registrou momentos profissionais e pessoais do casal.
Entre seus retratos, o mais famoso fica por conta de John Lennon. O retrato de John vestindo uma camiseta com os dizeres “New York City” e óculos escuros foi feito em 29 de agosto de 1974. 
O comprometimento e a dedicação de Bob também conquistaram uma carreira fora dos palcos. Muitos dos artistas que fotografou se tornaram eternos amigos. Em 2010, aposentou sua câmera, finalizando seu trabalhão registrando a turnê da banda de punk rock Green Day
Bob Gruen 6
Fechando a sequência de belíssimas fotos do mestre da fotografia, Bob Gruen, com caricaturas de minha autoria destas lendas do rock.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sebastião Salgado pela objetiva de Win Wenders


QUANDO um dos mestres do documentário biográfico decide filmar sobre um fotógrafo, pode tornar-se difícil ultrapassar a imensidão das imagens. Ambos, Salgado e Wenders, sabem delas: da composição ao contraste. Mas em "O Sal da Terra" explica-se também o que há para além delas, para além do olho que, por detrás da câmara, abraça a realidade. A profunda transformação do observador e do observado. O testemunho e o nascimento de uma trágica esperança num mundo que é afinal possível de ser salvo.


O realizador Wim Wenders começa o seu filme "O Sal Da Terra" com a fotografia que lhe despertou a curiosidade sobre Sebastião Salgado: o retrato de uma indonésia cega, que o realizador diz capaz de o fazer “chorar de cada vez que olha para ela”. 

A fotografia faz parte de uma série que acabaria por afirmar Salgado como um dos mais peculiares foto-documentaristas do nosso tempo: “Trabalhadores Rurais”, que produziu entre 1986 e 1992. Uma série de fotografias captadas em todo o mundo que partilham o mesmo objecto: homens e mulheres nas suas atividades laborais.


"Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas.” 


É assim que Salgado introduz o novo projeto: Êxodos. Sobre a migração em massa de refugiados. Determinado a mostrar ao mundo, aquilo que se ignora e se teme, Salgado percorre o Norte de África, testemunha a fome, o medo, a miséria. Desenvolve em cada viagem, uma visão negativa e pouco esperançosa sobre o mundo, cada vez mais desgovernado e cruel.


O TIRANO “soft” amigo e dono da bomba de gasolina do Tio Sam...


ANTES de abrirem a matraca decoreba de “bolivarianos” e “vão pra Cuba”, conheça o carniceiro medieval da Arábia SauditaAbdallah bin Abdul Aziz Al-Saud, carne e unha com os EUA.

 É O ÚNICO lugar do mundo que tem o próprio nome do país ligado a uma família, a família Al Saud. Por isso o país chama-se Arábia SAUDita mais medieval, impossível.


 O TRADICIONALISMO é a causa de uma das interpretações mais rígidas do Islamismo.
 É UMA monarquia absoluta que sempre mostrou um profundo desprezo pelos direitos humanos.
 LEGISLATIVO não há. Partidos políticos não há. Constituição não há.
 O REI governa de acordo com a Sharia, a lei sagrada do islamismo. A escravidão só foi abolida em 1962.
 A JUSTIÇA se faz com penas de morte, amputações, torturas - nos Estados Unidos o processo é mais “Humanitário”!
 A ARÁBIA Saudita tem pouco mais de 2 milhões de Km2 de areia e quase 30 milhões de habitantes.
 APESAR de seu regime TIRÂNICO, é o principal ALIADO muçulmano dos EUA na região.
 LOGICAMENTE, há grande oposição a esse regime tanto internamente quanto no mundo árabe.
 INTERNAMENTE, a oposição é mantida calada com mão de ferro mas já cometeu inúmeros atentados comandados, principalmente, pela Al Qaeda de Bin Laden.
 E OLHA que Osama Bin Laden era saudita; nasceu e foi criado na Arábia Saudita.

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